Itaú – “Bebê” sem papel

Quando um monte de amigos imbecis de juntam, dá nisso. Uma produção, sem produção, Papos&Goles.

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Crônica da vida real – Pinturas rabiscadas

por Junião

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“O sol nasce para todos”, disse um dia o insubstituível poeta Renato Russo. Realmente ele tinha e tem razão, o sol de fato nasce para todos. Porém, “ilumina” coisas bem diferentes e distintas no desenrolar de um dia… Prestemos atenção nos acontecimentos abaixo descritos para uma melhor visibilidade dessas distinções. Acontecimentos reais, teatralmente contados por um grande amigo meu – um inteligente pensador e filósofo de buteco.

Num lindo sábado ensolarado, em um requintado condomínio da cidade, “Sir Antony” sai com sua BMW X5 Luxury preta e ano 2014 – “já” 2014… Ao lado uma bela esposa “loira dondoca” e no banco traseiro um pequeno e chato cão poodle cor creme, cheiroso e cheio de laçinhos. O imponente casal Antony vai às compras semanais como as pessoas normais fazem.

Nesse mesmo momento, nessa mesma cidade, nesse mesmo sábado ensolarado e numa remota periferia ladeada por cana, Evangivaldo tenta sair com seu Chevette ano 75 de cor indefinida. Ao lado uma amásia com cara feia e alguns grampos tortos no cabelo ensebado. No banco traseiro Thiaguinhos, Dieguinhos e demais “inhos” que se possa imaginar – nomes em homenagem a grupos musicais. Todos com cara de choro, pois já haviam apanhado minutos atrás. Apanhado sabe-se lá porquê. Logicamente o Chevette não pega e alguns bêbados do bar em frente ajudam no “tranco salvador”, mas isso não atrapalha o mesmo destino da família: as compras.

A pomposa BMW desliza suave e silenciosamente pelas ruas, enquanto o Chevão agride os ouvidos alheios e arranca lágrimas abundantes com fumaça densa esguichada nos olhos dos transeuntes – o motor cansado faz 10 quilômetros por litro de gasolina e 20 por litro de óleo lubrificante… Antes da “diversão” Evangivaldo para num posto, manda por R$12,00 de combustível e “exige” uma ducha. Manda também o frentista calibrar os pneus, apesar dos mesmos estarem no puro arame.

Ao chegar no supermercado “Patrezão” lotado, a família buscapé roda pelo estacionamento infernal sem encontrar vaga. De repente e por ironia de destino, o patriarca avista um espaçinho apertado bem ao lado do veículo de Sir Antony. Apesar de não ser fato comum, os opostos se encontram de vez em quando nesse mundinho pequeno. Com os carros espremidos o inevitável acontece: as crianças desesperadas abrem com fúria a pesada porta de lata pura do Chevettão e… “scrash”! Eis o primeiro rabisco na BMW até então impecável. Obviamente saem todos sem dar a menor atenção ao fato.

No fervente interior do estabelecimento, o casal mais chique busca por especiarias requintadas, queijos, vinhos e peixes nobres; enquanto os mais simples vão no básico – arroz, feijão, óleo, pinga, sabão em barra, carne moída e derivados. Após um puta berreiro os “Thiaguinhos” conseguem “um Danone para cada um” e comem tudo ali mesmo, na hora e em público. As carinhas ficam todas “cor de rosa”, os dedos melecados e um dos desgraçadinhos, no êxtase da lambida animalesca, corta a língua na tampinha de alumínio rasgada. E tome mais tapas, safanões, pescoções e gritaria em meio aos corredores.

No caixa Sir Antony paga sem questionamentos e no cartão de débito sua compra de R$1.398,40 – valor normal da semana. Enquanto isso no box ao lado Evangivaldo tem alguns problemas com seu vale refeição e a compra de R$63,28 por pouco não volta para as prateleiras. Sem contar que a amásia ofende a atendente por um suposto Danone a mais na conta, apesar das embalagens vazias expostas falarem por si mesmas. E os “Thiaguinhos” correndo como loucos por todos os lados, trombando nas pessoas e gritando. Um inferno mesmo! Sem contar que, a essas alturas, um já fez cocô diante dos berros da mãe: “se vira, seu fila da puta, seu vira lata nojento, porco e etc”.

De volta ao Chevette, mais indiferentes portadas nos carros estacionados ao lado, mais “piriricados” nesses veículos alheios e mais donos desses mesmos inconformados com os rabiscos anônimos. Todo mundo quando chega e vê um risco inexplicável na linda pintura do amado carro, olha para todos os lados e pensa: “puta que pariu… o maldito há de sofrer bastante antes de morrer seco.” Se o risco for adquirido num estacionamento lotado de supermercado o ódio é ainda maior, pois supermercado lotado não é diversão nem prazer, é martírio normalmente imposto por esposas lazarentas que adoram estragar os fins de semana.

O resto do dia e da vida dessas famílias e o que o “sol ilumina” vocês podem imaginar por si mesmos. Os fatos reais retratados aqui são somente relativos a uma rápida ida às compras num sábado pela manhã e tudo que essa aparentemente simples tarefa pode proporcionar em termos cômicos. Só não muito cômico para quem tem a pintura do carro “esmirilhada”… Dedico esse texto ao nosso grande amigo Claudemir “Dracofer”, um cara que tem sempre algo inteligente a dizer. Abraços e até breve. Junião – o novo colunista.

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Basquete Araraquarense: Da Cesta ao Cesto – De Lixo

Carta de um simples torcedor aos empresários

por Junião

equipe

Em uma das longas viagens de motocicleta que fiz por esse mundo conheci um simpático senhor, num animado pub em Montevidéu – Uruguai. O vistoso nome Araraquara-SP bordado nas costas da minha jaqueta de couro chamou-lhe a atenção e o fez puxar assunto. Entre goles de cerveja e um horrível “portunhol” de ambos os lados, ele me perguntou sobre a nossa Ferroviária, time que tanto de bom tinha mostrado também por aqueles lados e, com tais feitos, muitas saudades deixara entre os nostálgicos amantes do futebol arte. Eu pouco soube explicar sobre o estranho – “óbvio” – declínio que tanto deteriorou a famosa esquadra grená a partir dos anos 80, mas saí do estabelecimento lotado com peito estufado e queixo em pé pelo reconhecimento do nome e belas menções à minha amada cidade, proporcionadas pelo nosso antigo time.

É fato inquestionável que o futebol foi, é e sempre será uma paixão unânime praticamente no planeta todo. Diante disso as lembranças esportistas invariavelmente se voltam a ele. Vide o status incomparável de uma copa do mundo e as cifras que essa competição movimenta em termos gerais. Por tal é até uma questão de lógica, principalmente no Brasil, que patrocínios astronômicos e investimentos faraônicos igualmente se voltem com força máxima a esse tão acompanhado e famoso esporte de massa. Os resultados e retornos são bem mais seguros.

Entretanto, amigos e amigas, os horizontes determinados por uma “bola” são bem mais amplos que se possa imaginar. Sem mencionar, é claro, tantas outras modalidades esportivas de igual respeito que usam tipos diferentes de objetos para darem seus espetáculos de puro talento. Porém, o assunto aqui em pauta gira em torno das esferas mágicas que afloram emoções explícitas ao serem disputadas. Aliás, o assunto aqui em pauta é uma esfera não muito diferente da irmã famosa que é chutada. Refiro-me a uma esfera que também pode despertar paixões e aflorar emoções ao ser “arremessada”. Refiro-me ao basquete, esporte tão difundido, amado e invejado no primeiro mundo – EUA, e tão pouco valorizado aqui entre nós.

Dias atrás, numa festiva tarde de domingo, descobri algo que certamente muitos outros conterrâneos também desconhece: o basquete profissional existe aqui em Araraquara! Existe em Araraquara e, pior, luta sempre contra nossa própria cidade, antes de qualquer outro adversário superior, para continuar existindo. Não, não sou um tolo alienado de costas aos nossos assuntos esportivos internos, mas, assim como tantos outros pobres reféns de mídia pesada, atento-me mais ao que sou bombardeado. E, da mesma forma como é mais fácil ter fé quando tudo dá certo e vai bem, conhecer, acompanhar e torcer para quem mais vence é fato. Porém, amigos e amigas, qualquer vitória requer, antes de tudo, preparo correto e muito apoio. Como dizem os antológicos roqueiros do mitológico AC/DC: “é uma longa estrada até o topo se você quiser”…

Meu amigo Eduardo Di Poi, diretor esportivo da ABA – Associação de Basquetebol de Araraquara -, foi quem me contou nessa festiva tarde as incríveis dificuldades para se tocar adiante por aqui um projeto/sonho. Ele detalhou-me, até em tom de triste comédia, os obstáculos quase intransponíveis existentes para quem tenta seguir quase sozinho a longa estrada rumo ao topo. A famosa luta bíblica entre o bravo Davi e o gigante Golias é ainda hoje um lindo ensinamento de crença no impossível, mas numa quadra atual, apesar de todos serem “gigantes”, a história é bem diferente em virtude das desiguais condições competitivas proporcionadas pelo dinheiro. A bravura e garra são sepultadas pelo total desgaste gerado por absurdos e até sofrimento.

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Assim como eu também não sabia, imagino que poucos conheçam certas adversidades de bastidores enfrentadas pelos nossos atletas. Os meninos grandalhões que carregam o nome da cidade têm uma mísera folha de pagamento de pouco mais de trinta mil reais, enquanto muitos dos seus imponentes adversários salivam suas bocas com meio milhão ao final de cada mês. Nossos meninos grandalhões já passaram, logicamente em virtude da falta de “fama e importância”, pelo constrangimento até de revista por seguranças antes de entrarem num requintado clube para uma partida. Aliás, tratamento desrespeitoso que nós mesmos acabamos por lhes dar aqui, pela falta de caloroso incentivo provindos das arquibancadas – quase sempre vazias…

Enquanto certos festejados adversários percorrem as distancias entre os jogos em velozes aviões, nossos meninos gigantes se amontoam em apertados, lerdos e desconfortabilíssimos simples ônibus, para viagens, muitas vezes, de mais de vinte horas. Quem quiser saber como se sente alguém de mais de dois metros de altura num veículo desses, basta tentar morar por um dia num banheiro químico… Diante de fatos reais como esse é lógico que as condições físicas são muito afetadas e o rendimento cai à quase zero. Como praticar um esporte tão dependente das pernas quando as próprias pernas ficaram no caminho? E como vencer um bem preparado adversário sem as pernas? Fora as humilhantes “vaquinhas às pressas” entre comerciantes para pagamento de despesas extras de viagens e demais desanimadores acontecimentos. Infelizmente dessa forma vem se arrastando nosso basquete. Mesmo assim nossos jogadores enfrentam gente de peso de igual para igual e constantemente dão muito trabalho em quadras estranhas.

Nosso Prefeito, Marcelo Barbieri, faz o que pode com o pouco que tem em mãos para esses fins. Certamente também vê e acredita no potencial da equipe e no contexto geral do projeto. A prefeitura cede transporte – ônibus – para os devidos deslocamentos e até repassa os custos de arbitragens quando os jogos são aqui “em casa” – cerca de R$ 4.000,00 por partida. Sem esses imprescindíveis auxílios todo o sonho já teria naufragado há muito tempo. Obrigado em nome de todos, Marcelo. O difícil é que até o próprio destino parece estar testando a persistência de cada um para acreditar e continuar. Digo isso, pois nosso belo ginásio “Gigantão”, obra de cartão postal, há dois anos está interditado em virtude de um desabamento de marquise. Interditado sem previsão de liberação. Até isso aconteceu para “tentar desanimar”…

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Desde mais esse triste contratempo nosso time vem jogando improvisadamente no Clube 22 de Agosto. O local é bom, mas a falta de uma casa própria e imponente como o Gigantão faz diferença. Os fiéis “Quatro Mosqueteiros” defensores do esporte, Eduardo Di Poi (já citado), Gilberto Paulilo, Geraldo Campesan e José Roberto Fernandes extravasam sua paixão real em qualquer local, mas arquibancadas maiores e mais eufóricas ajudariam bastante. Aliás, esses quatro “loucos basqueteiros alucinados” tanto se prestam que, apesar de todas as barras que enfrentam, ainda assim fizeram do nosso time juvenil um dos mais importantes da categoria paulista. Ainda não se sabe ao certo se existirá ou como será a próxima temporada de Araraquara na Liga Nacional de Basquete. Mas obviamente nada e ninguém jamais ofuscará o brilho dos sonhos desses caras que tanto lutam contra o fim.

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Senhores empresários: todos sabemos que o Neymar é literalmente a “bola da vez” e o seu atual toque de Midas. Não pretendemos, de forma alguma, tentar desmerecer seus dons, tampouco duvidar dos retornos de investimento na sua imagem baseada num topete exótico. Entretanto, senhores empresários, tudo que é bem dividido, ampliado, diversificado e tentado pode gerar impressionantes e diferentes frutos futuros. Se alguém quer colher, primeiro deve plantar. Assim como se alguém quiser ser amado, deve primeiro amar. Por tal, com os devidos plantios – investimentos – o amor do povo por esse fantástico esporte surgirá naturalmente diante de empolgantes espetáculos em ginásios lotados.

É fato que o Neymar é a bola da vez, mas também pode haver um novo extraterrestre Michael Jordan em qualquer esquina da nossa região, pronto a ser descoberto. Basta que seja dada uma chance a chance. O destino sempre cumpre seu papel.

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Deixo aqui um forte abraço a todos os nossos jogadores e dirigentes. Vocês são, independentemente de qualquer placar adverso, verdadeiros vencedores. Sim, pois somente verdadeiros vencedores não desistem dos seus sonhos diante de dificuldades. Não há homem mais feliz e realizado do que aquele que faz realmente o que ama e que vive das suas realizações. Todas as pessoas morrem, mas poucas vivem verdadeiramente…

Espero um dia, numa outra breve longa viagem de moto, vivenciar novas carinhosas aproximações de gerações futuras interessadas no esporte araraquarense. Mas não somente pelos nostálgicos gols da famosa “Ferrinha”, e sim também pelos incontáveis pontos que nossos meninos ainda farão mundo afora. Para que isso aconteça, basta que certos poderosos olhares recaiam sobre o nosso basquete com o merecido respeito e valor. E poderosos temos em abundância por aqui… Senhores empresários: precisamos de cestas, e não que os projetos idealistas sejam indiferentemente lançados ao cesto – de lixo… Vicente S. Junior – “Junião” – Jardim Martinez / Araraquara – SP.

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The Beatles | Abbey Road

Abbey Road é o 12º álbum da maior banda de todos os tempos, os Beatles. A capa do disco, onde os 4 Beatles atravessam a rua Abbey Road, com certeza está entre as mais famosas imagens da banda e da história da música. Porém, todo mundo conhece a foto principal, a escolhida para estampar a capa do disco, e nem sempre se lembram que para conseguir uma boa foto, às vezes é preciso fazer várias e várias outras. No caso de Abbey Road não foi diferente, dá uma olhada nessas fotos.

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Em aramaico com o borracheiro

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Na última terça-feira eu tive um pequeno imprevisto com o pneu traseiro da minha motocicleta. O dito cujo se encontrava no chão, todo belo e folgado, furado, avisando que não iria trabalhar. Tudo bem, pensei, resolvo esse probleminha no horário do almoço… e fui trabalhar feliz, contente e com o capeta no corpo.

Pra minha estranha surpresa a manhã no trabalho rolou sem maiores problemas, janeirão é meio devagar, sabe como é? Pois bem, fui almoçar em casa e passei na borracharia pra ver se a mesma ficava aberta na hora do almoço. Visto que sim, rumei pra casa para almoçar rapidinho e poder levar a moto para o reparo necessário.

Já no conforto do meu lar, ao abrir o marmitex tive a nítida impressão que algo de muito ruim havia acontecido com meu camarada entregador, tamanha era a destruição e mistura dos alimentos que se mostravam na minha frente. Respirei fundo e desisti de almoçar, abracei Lúcifer e seu filho e segui rumo à borracharia do Bigode.

Lá chegando descobri que o Mario Bros estava almoçando e o responsável pelo atendimento naquele momento era seu aprendiz de feiticeiro, um borra-botas de uns 16 anos. Como aquele era meu dia de sorte, outro cliente já havia encostado ali meio segundo antes de mim, ou seja, tive que ficar esperando.

Esperei pacientemente cuspindo fogo no chão e na ilustre presença de um bêbado que possuía incríveis dois dentes na boca, falava muito baixo e se parecia muitíssimo com o Popeye. Fiquei meio grogue de conversar com o cidadão devido ao seu aromático bafo de cana, por falar tão baixo ele chegava muito perto pra que eu pudesse ouvi-lo, o que só piorou a situação.

Porém, quando eu achava que tudo estava perdido, o Super Bigode surgiu em meio a pneus antigos e veio me atender. Com um aceno de cabeça o leão marinho das borrachas me cumprimentou e perguntou qual era o meu problema, tudo isso em um único aceno. Expliquei o acontecido e ele começou a trabalhar. Tira a roda, tira a câmera de ar e mergulha ela na brilhante banheira para localizar o furo. Bons 20 minutos depois ele volta com o pneu e me aponta um rasgo no mesmo. Por baixo do Lhasa Apso que ele tinha na cara ele balbuciou alguma coisa em um dialeto antigo que somente ele e seu pequeno aprendiz são capazes de entender, ou seja, até agora eu não sei o que ele resmungou pra mim, mas desconfio que seja algo sobre eu precisar trocar o pneu muito em breve.

Mais uns vinte minutos de espera e o Bigode voltou com a câmera de ar remendada e a passou para o filho da puta do moleque terminar o serviço, visto que ele já havia terminado o outro. O corninho infanto-juvenil demorou uns 15 minutos pra conseguir encaixar a roda traseira da minha moto.

Pra finalizar, toda essa conversa me custou 10 reais e todo o meu horário de almoço, mas eu confesso que preferia pagar 50, ter um serviço mais rápido e de preferência em um lugar onde o borracheiro falasse a minha língua.

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Projeto III | Brotas/Dourado por terra

por Junião

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Em meados de 1997 eu, Junião – O Imbecil Mestre -, e Billy Cabeludo – não menos imbecil, conversávamos no antigo e antológico Bar do Escadinha, point Mamíferos. Era uma linda tarde de sexta e queríamos algo radical para fazer na noite que aproximava-se. De repente, veio-me em mente uma luz: “vamos para Dourado”, disse animado. “Mas nós vamos pra lá quase toda semana, isso não é radicalismo”, respondeu o aprendiz de tonto. “Vamos já, mas dessa vez deixaremos as motos em casa e iremos a pé”, completei eufórico. O pior é que o inocente palhaço aceitou.

Pouco tempo depois, por volta das oito da noite, estávamos partindo diante de inconformados olhares dos vários amigos ali presentes e em meio a proféticas frases: “isso não vai dar certo!” Mochilas mal arrumadas nas costas, calçados pouco apropriados, cajados improvisados nas mãos e lá fomos nós – munidos com litros de Catuaba ao invés de água. Foi pedir para se fud…

Antes de passarmos pelos Machados, com as luzes de Araraquara ainda nos lombos, tomamos um puta fecha de vários cachorros, sem contar que os pés já davam sinais de sofrimento. Ali mesmo, somente no início e há míseros quilômetros caminhados, vi que nos ferraríamos. Dispensamos a carona de um amigo que tentou nos convencer a desistir e seguimos firmes. Dali em diante foi acontecendo de tudo junto aos passos.

Mais cachorros querendo nos mastigar em todas as porteiras possíveis, escuridão brava pois não tínhamos lanternas, tropeços em todas as pedras existentes e torções nos pés pela falta de visão, sede de jegue do Piauí e língua colada no céu da boca pela falta de água, insetos nos olhos, caminhões de cana que passavam raspando por não nos ver no breu, terra e pedregulhos nas caras e nas costas jogadas pelos “Romeu e Julieta” e demais sofrimentos dignos de filme sobre a guerra do Vietnã. Nem Rambo e Bradock suportariam tais provações de hombridade.

Perto das três da manhã conseguimos chegar ao Rio Jacaré, já meio de arrasto e com só um quarto da missão cumprida. Havíamos calculado mal a velocidade do caminhar, o tempo a ser gasto e, principalmente, nossa forma física. A estrada engana muito e a pé o destino simplesmente “não chega nunca”. E o martírio continuou…

Bebemos água do rio para não morrer de sede ali mesmo e improvisamos camas com imundas caixas de papelão (restos de andarilhos) para dormir numa clareira da mata ribeirinha. Nessa altura a brincadeira já não tinha mais graça. Quando clareou o frio era insuportável e as dores no corpo mais fortes em virtude da friagem. Dores e um horrível café da manhã: miojo feito numa panelinha lazarenta com água suja do Jacaré, duas carambolas, um chokito e mais uns goles na Catuaba companheira. Já vi hotéis pulguentos com cardápio melhor, mas era o que tínhamos na mochila arrumada nas coxas. Eu disse umas palavras de ânimo para o Cabeludo e continuamos, já cambaleantes. Daquele ponto seria mais fácil chegar a Guarapiranga do que voltar para Araraquara. De lá ligaríamos para pedir “resgate da missão”. Eu odeio celular mais que tudo, porém os malditos fazem mesmo falta em certos casos clássicos.

Poucos lentíssimos passos após o rio e arrumamos briga com uns Ingleses numa super camionete importada. Nem sei de onde surgiram os gringos em meio ao nevoeiro matinal, mas se interessaram pela bandeira do Reino Unido nas costas do Billy. Não deram carona após verem que não éramos Britânicos, e sim “pés de macaco”; nisso eu investi nos caras com meu cajado. Acho que já havia perdido a lucidez…

Eles nos abandonaram, mas pouco depois passou um trator puxando uma carroça lotada de lavagem para porco e o simpático sitiante ofereceu ajuda, só que não deu para encarar. Vomitamos em conjunto pela nojeira geral, agradecemos e continuamos andando.

Nesse estágio da situação o “astro rei” também já judiava sem dó. Sol forte na nuca, falta de água e desidratação, fome, nenhum sinal de casa próxima, só cana nova dos dois lados, pés com bolhas, assaduras, cãibras, uma estrada de terra repleta de pedras soltas que sumia no horizonte trêmulo e falta de opções. O próprio purgatório…

Começamos deitar para descansar praticamente a cada dez metros, com medo “de verdade” de olhar um para o outro e já ver urubus bicando as bolas dos olhos. De repente mais um imenso “triminhão” canavieiro passou por nós em sentido contrário. O cara avistou a cena dos nossos solitários semi-cadáveres jogados na terra a espera somente da morte, deu ré no bruto e gritou: “e aí, Junião camarada, tudo beleza?” “Tenho uma caixa de isopor lotada de Skol gelada aqui comigo, aceitam umas?” Eu não conseguia acreditar no acontecimento…

Fui até a boléia e era mesmo verdade. Expliquei ao cara a imbecilidade que fazíamos, tomei e dei água geladinha para o Bilunga Zumbi do Sertão e, lógico, peguei uma latas para nos animar. Ele não nos levou pois seguiria outro rumo. Eu o cumprimentei, abençoei de coração e o vi sumir na poeira. Fato: até hoje eu não tenho a menor idéia de quem se trata, mesmo o cara sabendo meu nome. Só sei que esse amigo nos deu o combustível mais que necessário para prosseguir os quilômetros restantes sem falecer. Às vezes Anjos da Guarda se mostram de várias formas. O meu particular, como viram, é caminhoneiro e trabalha em usina nas horas de folga…

A visão da cidadezinha surgindo na paisagem foi, naquela situação, tão maravilhosa quanto assistir a um strip particular de qualquer Panicat… Por volta de meio dia do sábado chegamos literalmente de arrasto até o primeiro bar avistado. Nossa aparição assustou os pingaiadas de plantão no lugar: sujos, trêmulos, rostos vermelhos, descabelados, corcundas, mancando, com olhares de piedade, pés com bolhas em cima de calos e demais atributos de “sobreviventes”. Comemos desesperadamente pães com mortadela e desmaiamos na calçada, entre as mesas do estabelecimento. Eu cheguei até a sonhar com vida num plano superior.

Quando voltamos do “coma momentâneo”, contamos a história aos interessados ali próximos. Um filho da puta disse que havia nos visto sob o sol escaldante, só não oferecera ajuda por achar que fôssemos escoteiros. Eu tive vontade de partir para cima do corno para arrancar-lhe os olhos, mas faltaria força.

Após essa pequena recuperação de carcaça, eu, de joelhos pelas pernas bambas, liguei de um orelhão no próprio bar solicitando ajuda. Os lazarentos da turma que foram em auxílio nos humilharam exigindo, antes, que eu gritasse ao fone: “somos idiotas, somos idiotas, perdão por sermos tão idiotas!” O bar todo caiu em gargalhadas ao ouvir minha humilhante e lacrimejante súplica.

Depois de tal calvário repleto de detalhes eu jurei a mim mesmo que jamais me meteria novamente em tamanha estupidez. Jurei, porém dez anos depois repetimos a mesma palhaçada – fora outros absurdos iguais ou piores cometidos nesse extenso período. Fomos em sete pessoas na segunda aventura. “Sete”…

Só que essa mais recente, onde novos palhaços igualmente se estreparam com tantos e tão estúpidos detalhes quanto a primeira, eu prefiro que seja contada pelo meu grande irmão Tiago Ganso, também participante. Em 1997 não registramos os sofridos passos, em compensação a parte II conta com fotos aos montes. Divirtam-se e opinem “com sinceridade” quando forem postadas.

O melhor, ou pior se preferirem, é que o PROJETO III já está marcado para dia 30 de Março – coincidentemente no dia seguinte ao meu aniversário, um belo presente. Dessa vez sairemos de Brotas a noite rumo a Dourado. São aproximadamente 30 quilômetros de terra batida, belas paisagens e, logicamente, muito fumo. A gente nunca desiste. Não sei em quantos loucos iremos agora, só quero que todos os interessados saibam: “a vida é uma arriscada aventura ou não é nada, pois todo esse sofrimento aí contado é hoje lembrado entre cervejas e gargalhadas abundantes”… Abraços. Junião.

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O Jardim das Lendas – Se beber não dirija!

por Junião

bebado

“Se beber não dirija”… Eu já ouvi e li essa frase em centenas de lugares. Aliás, às vezes com vírgula e em outras não, mas isso não importa; o importante é que o contexto é inteligente e de necessário bom senso. Todo bêbado só faz porcaria e ponto final. Ninguém encharcado fica bom em nada. O cabra safado ou a cabra safada pode até pensar estar com o domínio da situação, seja ela qual for, mas, na verdade, o cérebro véio de guerra está mais perdido e com rumo indefinido que verba pública. Enaltecerei agora, amigos e amigas, tal realidade com clássicos exemplos provindos de vários moradores “rabos cheios” do famoso Martinez. Se beber não dirija, mas também não tente mais nada além de somente dormir…

João da Lambreta era um ser que jamais fora devidamente catalogado pela ciência. Ele tinha esse codinome pois na época, ainda muito jovem e com minguados recursos, havia “contraído” um horroroso veículo de duas rodas o qual somente ele mesmo chamava de lambreta. A “coisa”, além de desgraçar o meio ambiente com fumaça abundante e fartos vazamentos de óleo, distribuía também tétano gratuitamente para a população. Certo dia o magricelo João tomou vinte e duas doses de Velho Barreiro, ficou sem camisa para (inutilmente) se parecer mais sexy e foi fazer graça para algumas pitetes na hora da saída de uma escola próxima ao bairro. Porém, inexplicavelmente o tonto perdeu o controle do bólido, rolou e esfregou-se todo no chão do perímetro escolar. Com tal violento capote o mamilo esquerdo desapareceu por completo. Em resumo: a teta do idiota gastou-se por inteira no asfalto. Certo tempo e muitos litros de mertiolate depois, um “bico” novo surgiu no local do antigo. Na verdade não um bico propriamente dito, mas sim um carocinho horrível e sem forma definida, bem pior que o original de fábrica – que já era indescritivelmente feio. Ele conseguiu arruinar ainda mais o que pior já era. João da Lambreta deveria ou não ter ido dormir, a pé, naquele dia?

Luiz Bigode, o eletricista psicopata, certa noite num pesqueiro bebeu, bebeu, bebeu, bebeu, bebeu, bebeu, comeu um puta prato de feijoada gorda e desmaiou logo em seguida. Claro que o pobre corpo, constantemente surrado pelo dono, não suportou tal sobrecarga de responsabilidade digestiva. Tanto que o bichão acordou logo em seguida esguichando vômito pra todo lado. Desculpem a nojenta sinceridade, mas o bigode do camarada transformou-se num coxo de chiqueiro por todo o alimento regurgitado que nele se acumulou. O problema é que o imbecil se esqueceu que havia comido antes de apagar, por tal ao ver umas lascas de orelha de porco – parte dos ingredientes – nas “poças” ao seu redor, começou a gritar, implorar perdão divino e chorar séria e desesperadamente. O louco achou, de verdade, que fosse seu fígado despedaçando-se, sendo cuspido aos poucos e indo literalmente ralo abaixo. Os emocionados amigos de pescaria abraçaram carinhosamente o apavorado e deram-lhe mais uns goles para comemorar a bobeada. Acalmaram a situação dizendo que ainda não eram seus órgãos vitais abandonando os postos de batalha. “Ainda não eram”…

Gil era um paraibano arretado, encardido e, apesar da pequena estatura, puxador contumaz de brigas generalizadas. Ele, assim como seus companheiros acima já descritos, fazia uso diário e feliz de combustível a base de cana-de-açúcar – pinga. Em termos de permanência no bar o cara só perdia para os próprios litros nas prateleiras do estabelecimento. Certa vez o avisaram que sua mãe havia sido internada as pressas e em situação nada boa. O oriundo do norte tomou mais umas e foi até o hospital verificar a situação. Pouco tempo depois voltou ao buteco todo machucado, rasgado e com os dois olhos roxos. Gil contou aos atônitos companheiros que havia “lutado” na recepção com dois enfermeiros e três seguranças gigantes, pois o que haviam feito com sua mãezinha era imperdoável. Disse ele que, logo ao chegar para o atendimento, haviam obrigado a véia “comer vidro”… Diante dessa frase ele partiu cheio de razão e sem titubear para cima de todos com a fúria de um jegue possuído pelo capeta. Apesar da rede pública de saúde ser uma eterna tragédia épica, ninguém jamais ouvira falar de procedimento tão animalesco e absurdo. Entretanto, após tudo mais bem apurado, descobriu-se que, na verdade, o Paraíba havia tomado um puta cacete de uma só atendente – moça – e que a intervenção médica havia sido “coma induzido”, e não comer vidro… Bêbado perde realmente todos os sentidos, inclusive a audição. O pior é apanhar mais que gato ladrão de bife por tal mal entendido. O pior é voltar pra casa puro sangue e com a cara toda amassada apenas para obter uma informação hospitalar.

Bem antes da tecnologia automobilística chegar até nós, o velho Saturno já era “total flex” – aguardente, fogo paulista, conhaque, vinho, rabo de galo e demais. Ele não “falhava” com nada. Sim, o cara se chamava Saturno, mas era também conhecido por Debochado. Em frente ao bar onde ele praticamente morava existia um terreno baldio, e eis que, certo belo dia, o gênio teve a igualmente bela ideia de cultivar uma horta no local para ocupar o tempo entre um gole e outro. Procurou então o dono e sob permissão tocou o projeto adiante. Alguns meses depois a coisa estava linda e bem diversificada. Daí em diante ele passou a ficar ainda mais no buteco para atender suas freguesas. Até que uma manhã surgiu a primeira e pediu uma maço de salsinha. O velho Debochado, trançando as pernas e cercando frango, colheu o pedido e embrulhou tudo carinhosamente num jornal imundo. Pouco depois sua cliente voltou e tacou tudo na cara do emergente comerciante de hortaliças. Ele, desvirtuado, havia apanhado folhas de cenoura, e não a salsa solicitada… Folhas de cenoura não servem para nada, muito menos para temperar algo – a menos que seja um restaurante só para coelhos. O pior é que, além de perder a cliente, perdeu também as referências para saber onde estavam as próprias cenouras, pois os talinhos verdes são os guias e apoios para arrancá-las do solo. Sumiu tudo terra adentro; perdeu tudo. O resto as pragas e pestes comeram por descuido total derivado de cotovelos no balcão.

Meu pai um dia, em especial estado de putrefação alcoólica de neurônios, foi mostrar um revólver que possuía a um pedreiro que trabalhava na reforma de casa e a arma disparou. A bala ricocheteou por todos os lados do cômodo onde estavam e acertou de raspão o servente. Os dois trabalhadores foram embora na hora, não quiseram nem mesmo receber o dia de serviço. A história se propagou e minha mãe custou a encontrar outros profissionais para a continuidade da obra do perigoso cachaceiro terrorista.

O antológico Senhor Faria, finado pai do meu igualmente antológico cunhado Alexandre, certa noite voltou para casa “daquele jeito”, ficou de cueca como sempre, esparramou-se no sofá, mudou a TV de canal e, de repente viu que tinha visitas. Abraçou todos carinhosamente e gritou para a mulher abrir um vinho para celebrarem. A mulher não atendeu tal pedido pois não estava no local. O louco havia se confundido e entrado na residência do vizinho, por isso as “estranhas” presenças deles ali…

Tetas gastas no asfalto, fígados supostamente cuspidos aos pedaços, pancadarias desnecessárias em recepções hospitalares, clientes perdidas e cenouras desaparecidas para sempre, tiros em pedreiros e lares inusitadamente invadidos… Apesar de existirem muitos outros estúpidos exemplos no Martinez a serem relatados, acho que esses já são suficientes para enaltecer classicamente que bêbados não devem fazer nada além de buscar um silencioso canto para desmaiar. Assim não ferram a si mesmos e, principalmente, não enchem o saco dos pobres inocentes aos seus redores. Abraços, galera.

Até breve, Junião

PS. Estou ficando “chique”… Esse foi o primeiro texto escrito, sem dar trabalho aos outros, no meu notebook particular. Agradeço a Flávia pelo presente e por lenta e pacientemente estar me tirando das cavernas.

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O que há por dentro? – Charles M. Schulz

por André Modesto

charlesSchulzJá faz um bom tempo que não escrevo, mas em meu último post perguntaram-me se eu estava apaixonado por alguma garota ruiva… Na verdade não, era uma homenagem a Charles M. Schulz, o criador dos quadrinhos do Charlie Brown e toda sua turma. A referência, é claro, é a garotinha ruiva pela qual Charlie Brown é apaixonado.

Pode-se dizer que “os desenhos do Snoopy” como costumava falar na infância eram uma ótima companhia, e continuariam sendo, já que, sob um olhar mais atento ele despertará a curiosidade não apenas das crianças, mas também de pessoas sensíveis de todas as idades.

As personagens e as relações são construídas de maneira engenhosa, de modo que transitam entre um universo “adulto” e outro completamente infantil. Há, por exemplo, a esperta e interesseira Lucy, bem como seu irmão que filosofa sobre temas complexos agarrado ao seu cobertor. Schroeder persegue firmemente o seu ideal musical, às vezes até tornando-se alheio ao mundo que o cerca. Por fim, o próprio Charlie Brown, que não busca ser o garoto mais popular ou mesmo algum tipo de herói, busca apenas aceitação e seu lugar em meio a outras crianças. Então, desenvolve-se um cenário onde problemas infantis, como ser bom no beisebol ou em empinar pipas, tornam-se cada vez mais pesados sob o signo do fracasso.

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As personagens, em especial o próprio Charlie Brown, ganham uma perspectiva interna: há um mundo rico e complexo dentro de cada criança, algo que Schulz não se esqueceu. Suas personagens não vivem meramente uma infância feliz e alienada, elas são conscientes de que algo se passa lá fora e vez ou outra trazem isso à tona, inclusive em suas questões morais e éticas. Mas é seu mundo interno que é mais manifesto e não é um mundo exclusivo de alegrias e brincadeiras. O fracasso de Charlie Brown também lhe é deprimente, o que o leva às onerosas consultas com a psicóloga da turma, Lucy, que o critica e lhe expõe ainda mais seus defeitos, sua inabilidade nos jogos, seu jeito desengonçado, sua tendência a engordar…

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Entretanto, em meio aos desconfortos e fracassos, Schulz trás a tona um pensamento positivo: o mundo não acaba quando se perde alguma coisa! Ele continua lá, movimentando-se, o sol brilha, as outras pessoas continuam com suas vidas normalmente… Por outro lado, dentre suas personagens todas são mais ou menos desajustadas e/ou com algum sofrimento latente, alguma perda ou paixão não correspondida… Então por que se deixar abater?

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Schulz morreu em 12 de fevereiro de 2000 e é de se pensar se esses pensamentos positivos, ou mostras de resistência, como a frase acima citada de Charlie Brown, não fossem um modo de o autor falar para si mesmo que o mundo não acaba diante de qualquer fracasso e que há aceitação até para os mais desajeitados. Bom, se Schulz não fazia isso, eu faço.

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Texto também publicado no blog Ideias Modestas.

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A gente se vê…

anoNovo

Bom pessoal, vocês devem ter percebido que nós demos uma sumida, certo? Dezembro é complicado, muito trabalho e muita festa também, por isso, vamos fazer uma coisa, a gente se vê no ano que vem, certo?

Obrigado a todos os nossos leitores fiéis e esporádicos, espero que todos tenham um excelente Natal e um Ano Novo cheio de realizações.

Um grande abraço a todos,

Tiago Pereira e equipe Papos&Goles

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Enquanto isso em A Vida da Gente…

Ana

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