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Neurônios de Metal – Metal Pesado!
por Junião

O bom e velho Rock and Roll… Como é bom gostar de você, velho amigo! Como é bom e gratificante fazer parte dessa imensa legião mundial de privilegiados fiéis seguidores. Fiéis discípulos de um ritmo a prova de modismos que há décadas vem embalando gerações seguidas, com a eterna vitalidade proveniente da sua fonte particular de juventude: perfeitas notas instrumentais muito bem casadas com timbres de igual perfeição. Verdadeiros poemas dos deuses aos ouvidos dos apreciadores de boa música.
Ao fim dos anos quarenta os negros sulistas americanos iniciaram distorções revolucionárias em suas grandes guitarras, arranjos que logo ganharam seu merecido espaço no cenário artístico. Pouco tempo depois o inesquecível Elvis Presley personificou o estilo através de movimentos ousados e até proibidos para a época – rebeldia total e nata. E numa perfeita sequência arquitetada pelo sábio destino, os eternos garotos de Liverpool – Beatles – evidenciaram o que havia chegado para nunca mais partir.
A paternidade do Rock até hoje é questionada e solicitada por americanos e ingleses, mas isso pouco importa. O importante é que muitos são os outros antológicos nomes jurássicos, de ambos os lados, que contribuíram de forma imprescindível para a evolução do movimento, principalmente nos mágicos anos 70. E nessa linda guerra sonora onde as armas sempre foram instrumentos bem domados e gargantas abençoadas, quem ganhou foi a história do planeta e, consequentemente, nós, seus habitantes. Fomos presenteados com verdadeiras obras primas musicais que desafiam e desafiarão para sempre o próprio passar do tempo.
O Rock foi amadurecendo e ramificou-se, isso também faz parte da própria evolução natural de tudo. Vários outros seguimentos surgiram, mas todos com o invariável respeito às diretrizes iniciais dos mestres antecessores. Entre esses descendentes está o Heavy Metal, uma linha mais pesada, como o próprio nome sugere. Assim como mencionado no início, sinto-me novamente privilegiado por fazer parte dessa, igualmente imensa, legião terráquea de seguidores. Quem gosta de Rock ou Heavy envelhece, mas jamais fica velho. Acredito também que quem curte esse tipo de som a fundo tem a inteligência sempre desafiada e exercitada, portanto tende a ser mais… inteligente. Com o máximo respeito que tenho por todos os gostos musicais diferenciados, essa é minha humilde e sincera opinião.
“Mas são somente loucos cabeludos barulhentos que gritam coisas sem sentido e adoram o Demo!” Eu já ouvi essa infeliz frase um bilhão de vezes dos que pouco conhecem o mundo metal e preferem tentar explicar o inexplicável através de desnecessários preconceitos medíocres. Acredito que meus incontáveis irmãos de camisas pretas também já tenham ouvido isso ou algo bem pior por esse mundo afora. O engraçado e contraditório é que quem diz esse tipo de bobagem certamente não sabe quanto os trabalhos desses “cabeludos” possuem de cultura, de pesquisa, de exaustivos detalhes, de exigência musical, de conhecimento geral e de persistência máxima. Vamos a alguns fatos clássicos e comparativos cômicos, logicamente com o máximo respeito possível…
O extraterrestre Neil Peart, da banda canadense Rush, é extremamente viciado em perfeição. Por isso chega a demorar meses apenas afinando sua enorme bateria, para aí então começar a tocar, gravar e apresentar-se publicamente. Meses apenas afiando. Dizem que Lars Ulrich, do Metallica, não é muito diferente, assim como tantos outros deuses das baquetas. Tudo isso para que nenhum detalhe saia errado e os fãs sejam agraciados com o que de melhor eles possam mostrar. Imaginem o quanto de “músicas referentes à bundinhas” são produzidas na Bahia nesses mesmos vários meses… Cem mil? Quinhentas mil? Um bilhão? Por aí já se percebe o nível e desnível de produções lógicas e benéficas ou não ao cérebro.
A pesada banda americana Manowar segue seu caminho baseado, entre outras influências, na mitologia nórdica. Assunto complexo que requer certo nível de conhecimento até mesmo para se ouvir. E conhecimento geral sempre agrega bons frutos na evolução mental. São assuntos que podem fazer, inclusive, parte de vestibulares. Mitologia nórdica poucos conhecem e menos ainda são os que se interessam em conhecer. Mitologia nada, em contrapartida a nova maldita dança do “jacaré”, por exemplo, que atrofia o pouco de QI que ainda possa existir, é absorvida com facilidade indescritível em questão de segundos pelo povão – QI abaixo de zero nesse caso específico. O Brasil é um país ainda muito complicado em certos aspectos, por isso não me espantarei em nada se um dia as danças do desgraçado Tchan forem também agregadas como matéria de peso no Enem.
Gene Simmons, o lendário baixista linguarudo do Kiss, é um poliglota de carteirinha. Fala fluentemente, além do tradicional inglês, simplesmente hebraico, alemão e húngaro. É mole? O camarada é gênio. Com o máximo respeito já mencionado, eu custo a acreditar que quem vomitou “créu e tô ficando atoladinha” falem pelo menos “brasileiro”. O pior é que insistem em chamar isso de música.

O todo poderoso Iron Maiden tem muitas das suas obras de arte baseadas em obras ainda mais expressivas da literatura mundial. É o caso, por exemplo, de The Evil That Men Do, de Willian Shakespeare. “O mal que os homens fazem permanece após suas mortes, mas o bem é enterrado junto aos seus ossos”. Há cultura pura em muitas das suas magníficas complexas letras. Os caras, ainda por cima, já usaram em alguns trabalhos palavras extintas há mais de duzentos anos do inglês britânico clássico. Ou seja, quem ouve tem que se virar para pesquisar em busca das traduções. E quem pesquisa tende a se tornar mais… inteligente, certo? O segredo para o desenvolvimento cultural encontra-se nas pesquisas e na leitura. Esse é o único caminho. Agora me digam com sinceridade: o que há para ser pesquisado em “éguinha pocotó”? O que há para ser descoberto que agregue algo de útil na tragédia “cada um no seu quadrado”? É o fim do mundo ou não? É ganhar dinheiro fácil em cima da ignorância popular ou não? É colaborar de forma expressiva com o emburrecimento público generalizado ou não? Ninguém merece tanto lixo.
Jimmy Page, o fantástico ser que encantou o mundo junto com seus amigos do antológico Led Zeppelin, às vezes tocava uma guitarra de dois braços com complicadas quantidades de cordas. Imaginem a capacidade e a técnica necessária para se dominar por completo um instrumento de outro planeta? Aliás, nesse ponto tenho que respeitar verdadeiramente as violas de cordas duplas dos nossos sertanejos de raiz. Ali existe (existia…) também talento real, tanto que impressionaram até mesmo Keith Richards, dos Roling Stones, em sua escondida passagem por aqui nos anos 60. Mas somente nos antigos de raiz, pois o sertanejo atual está tão mercenário e apodrecido quanto a grande parte da musica nacional. Os cansativos “sertanejos” da atualidade não passam de sofisticadas marionetes bobas que usam mais maquiagem que mulher de zona em sexta-feira de pagamento e cantam em suas letras coisas como elevador, esquina, apartamento e demais apetrechos. Por acaso na roça existe elevador?
Voltando ao assunto cordas, enquanto magos de coordenação motora ilimitada se desdobram entre acordes que exigem horas e horas diárias de estudo aplicado, temos por aqui um berimbau… Objeto de “uma única corda”, certamente criado para facilitar a vida de quem não é muito chegado em pegar no pesado, nem mesmo musical. Mais uma vez cito o devido respeito e tenho ciência da necessidade de algum conhecimento até para manusear esse tal berimbau. Mas sinceramente não acredito que Jimmy Page ou Eddie Van Halen encontrariam dificuldades para dominar somente uma corda. Em contrapartida não acho provável que um “berimbauzeiro mor”, que toca só isso, seja capaz de encarar os eletrizantes solos da magnífica Stairway to Heaven ou da indescritível Eruption. Mais uma vez entra em pauta não somente o gosto musical particular de cada um, e sim a consistência real de cada trabalho e sua exigência para com quem cria e reproduz ao vivo com fidelidade. Contra fato não há argumento, diz a sabedoria popular.
Não, eu não estou querendo comparar o que há de melhor no Rock e Heavy com a escória sonora da base da cadeia alimentar artística geral. Sei que existe coisa ruim também no nosso pesado mundo, isso é fato. O lado negro e as laranjas podres estão em todos os planos. Até mesmo as “santificadas religiões” possuem seus bastidores sujos. Aliás, cada vez maiores e mais vistosos.
O acelerado cenário metálico infelizmente conta também com egos inflamados e certas frescuras desnecessárias, conta com errôneos endeusamentos particulares, com sons que beiram o insuportável e demais fatos complicados. Mas são, graças ao Criador, minoria. Caso contrário não ouviríamos atualmente músicas com décadas de existência que se tornaram verdadeiros hinos e não comentaríamos sobre seus criadores como se eles as tivessem lançado ontem. O que é bom dura. Por outro lado por quanto tempo ainda ouvirão e comentarão sobre Preta Gil? Será que alguma porcaria da insuportável eterna virgem Sandy durará tanto e com tanta força quanto Another Brick in the Wall, do Pink Floyd? Peço inclusive perdão pelo comparativo desumano e descabido. Esse comparativo é direcionado somente aos estúpidos de gostos questionáveis e deficiência generalizada, mas que ainda assim preferem apontar problemas mentais em nós, “roqueiros”…
Com relação a alguns egos demasiadamente inflamados e exibições aparentemente exageradas no palco e até na vida particular, isso também pode ser explicado, mesmo que não justificado. Pensem, por horrível exemplo, no maldito carlinhos brow (escrito propositalmente com letras minúsculas) tendo um ataque psicodélico ao fim de um show, rolando no chão e arrebentando um pandeiro numa caixa de som… Em seguida incendiando de joelhos os restos do mesmo objeto… Não teria muita graça, muito menos propósito. Ele, o maldito brow, não pode, mas Jimi Hendrix e Johnny Ramone podiam! Ele não pode, mas Angus Young do AC/DC ainda pode. Pode pois a coisa combina com a órbita geral de uma apresentação de proporções épicas como essas descritas, assim como tantas outras. Inclusive algumas que eu e vários outros sortudos amigos já tivemos o prazer de assistir pessoalmente.
Por tudo já dito, amigos e amigas amantes ou não do bom e velho Rock e do pesado Heavy Metal, não somos somente um “bando de loucos cabeludos barulhentos adoradores do Demo” como preconceituosamente muitos nos rotulam. Pelo contrário, existe muito fundamento na nossa causa. Quem ainda nada conhece deveria se aprofundar e deixar-se também ser envolvido pelo belo contexto geral desse amplo e sábio universo. Universo pelo qual naturalmente e sem maiores explicações nos apaixonamos ainda garotinhos e garotinhas. Deixem que seus neurônios lentamente também se tornem de… Metal – de Metal Pesado.
Dedico esse texto ao amigo Roger Moreira, competente líder da eletrizante e marcante banda Ultraje a Rigor. Banda essa que fez parte do inesquecível cenário igualmente eletrizante dos nossos anos 80. Bons tempos de “reais bons colaboradores” com o bom e velho rock nacional. Recentemente Roger teve seu QI – também de metal – como pauta de discussão aqui mesmo nesse Blog. Discussão, como não poderia ser diferente, com alto nível de… inteligência. Eu amo mesmo fazer parte dessa imensa legião. Abraços e até breve. Junião “Steve Harris” Junior.
Postado em Música
Tags: Heavy Metal, Música, Rock and Roll

julho 30th, 2010
Tiago Pereira







